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As limitações no uso de indicadores bibliométricos na avaliação de desempenho científico

por Comissão do Portal de Periódicos UFSCar — publicado 28/08/2017 12h43, última modificação 28/08/2017 12h43
Colaboradores: Camilla Teodoro (Estagiária/ Diretoria BCo)
As limitações dos indicadores bibliométricos na função de avaliar artigos e pesquisadores

Segundo a revista Nature, na edição de Abril de 2017, estudos realizados por pesquisadores da Georgia State University, em Atlanta, GA, EUA, e do Departamento de Gestão Econômica, Estratégia e Inovação, da Universidade de Leuven, na Bélgica, apontam as limitações dos indicadores bibliométricos como forma de avaliação de desempenho científico, visto que não abrangem fatores como a importância do trabalho em si, e sim a popularidade do trabalho na comunidade acadêmica.

Agências de fomento e especialistas integrantes de comitês científicos de diversos países utilizam de forma rotineira os indicadores como uma maneira de avaliar a qualidade das pesquisas de candidatos à contratação e progressão na carreira, porém, essa análise se mostra incompleta como ferramenta de avaliação.

Desde iniciativas como a Declaração de São Francisco sobre Avaliação da Pesquisa, de dezembro de 2012, que fez um chamado crítico contra o uso do Fator de Impacto (FI) na avaliação da pesquisa, o tema vem sendo discutido, levantando a questão de que os trabalhos mais citados de um autor não são necessariamente seus melhores trabalhos.

Os cientistas acreditam que a utilização frequente de índices bibliométricos com intervalo curto de verificação desestimula publicações de trabalhos inovadores, o que é uma perda não apenas para a comunidade acadêmica, como para a sociedade em geral, já que inovação é o cerne da produção científica. A pesquisa foi realizada por meio de análise de citações no Web of Science de mais de 660 mil artigos, que foram publicados entre 2001 e 2015, classificados em pesquisa com alto, moderado e nenhum grau de inovação.

Com base nesta análise, os autores observaram que os artigos com maior grau de inovação ou demoram em torno de 5 a 10 anos para serem altamente citados ou são ignorados em comparação a artigos com nenhum grau de inovação, sendo que no momento de realizar a avaliação, as agências e comitês tratam de citações num intervalo de análise de 2 a 3 anos.

Assim, os autores acreditam que o atual processo de avaliação da pesquisa não se atenta para trabalhos que podem ter impacto altíssimo na avaliação em longo prazo e, para evitar a penalização de projetos com potencial, toda a comunidade acadêmica deve criar avaliações mais objetivas e usar os indicadores qualitativos e quantitativos de forma responsável, para então quebrar fronteiras.

Contato

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Bibliografia Consultada

IOANNIDIS, J. P. A. Bibliometrics: Is your most cited work your best? Nature, v. 514, n. 7524, 2014. Disponível em: <http://www.nature.com/news/bibliometrics-is-your-most-cited-work-your-best-1.16217#assess>. Acesso em 25 ago 2017.

NASSI-CALÓ, L. A Miopia dos Indicadores Bibliométricos. SciELO em Perspectiva, 2017. Disponível em: <http://blog.scielo.org/blog/2017/06/01/a-miopia-dos-indicadores-bibliometricos/>. Acesso em 25 ago 2017.

STEPHAN, P.; VEUGELERS, R.; WANG, J. Reviewers are blinkered by bibliometrics. Nature, v. 544, n. 7651, 2017. Disponível em: <http://www.nature.com/news/reviewers-are-blinkered-by-bibliometrics-1.21877>. Acesso em: 25 ago 2017.